quinta-feira, 21 de julho de 2016

Eu contra mim


Por mais quanto tempo você vai tentar se enganar? E por quanto mais vai se sentir assim? Estúpida, triste, um nada. Nada mais do que uma mentirosa, covarde e puta. Você acabará da forma como sempre se sentiu, sozinha e sem amar ninguém. Uma eterna romântica, apaixonada por todos e pela vida. Mas amor, não. Amor são para pessoas boas. E você é ruim. Esse seu gauchismo, que você tenta se apegar, é o que te faz se sentir mais viva, mais mortal, mais humana. A Pérola é seu lado sujo e você gosta tanto dele, né? Essa podridão é tão aconchegante! Ali, você se acha, você se encolhe e você fica. No lixo. No vazio. No nada.
E foram tantas chances dadas a você, meu Deus! Quantos rabos de baleia precisarão passar pela sua sala entediante pra te buscar dessa tristeza? Por que você não se agarra a um desses e vê onde leva? É o medo? Do que você tem medo, Paulinha? Você devia ter medo dessa solidão horrível em que você se encontra. Tantos gritos, tantos textos, tantas palavras, tantas lágrimas, tanto vazio, quanta coisa cabe dentro de você!
Quantas pessoas vão ter que se apaixonar por você? E quantas vezes você vai querer e não poder corresponder? E quantos amigos incríveis você vai perder por causa desse motivo? Quanto mais você vai reprimir seu sentimento? Quanto mais você vai precisar mentir? Quantas vezes mais você vai se chamar de "vagabunda" na frente do espelho, com vergonha de si mesma? Vergonha de sentir tudo isso, vergonha de se sentir apaixonada, vergonha de amar. Algo que deveria ser nobre e digno de orgulho. Você transformou sentimentos lindos em coisas horrorosas, porque você não sabe o que sente, você não se entende... Calma, não chora. Eu entendo você. Eu entendo você melhor do que ninguém. Sua insegurança, seu medo, sua falta de confiança, seu passado. Eu sei de tudo isso. Mas eles não sabem. Eles te julgam, você se julga. E você se estagna. Você não anda, você rasteja. Você chora. Você se enche de solidão.
Eu não aguento mais gritar, eu não aguento mais escrever sobre quem você queria ser e não é. Esse mundo que você criou na sua cabeça, que você achou que seria saudável, agora ele quer existir de verdade, quer ocupar a realidade. A realidade tornou-se nada perto da sua imaginação, que é tão grande e criativa... Ai Paula, será que você não é melhor do que você imagina?
Eu sei. Você tem vergonha de você, de como você é, de como você se sente. Você tem vergonha de si mesma. E se todo mundo soubesse de verdade quem é você? Porque ninguém sabe, nem mesmo sua família que te criou sabe, que dirá os outros? Mas você sabe quem é você. Você sabe que você não vale a pena. Como alguém pode gostar de você de verdade? Eles gostam da sua máscara, dessa sua superficialidade que parece muito profunda, dos seus pensamentos inventados, da sua imaginação infantil. Ninguém gosta do que você realmente é. Nem eu, nem você. E, por isso, no fim, você, acaba. Só. 



domingo, 3 de julho de 2016

Eu queria você...


Uma semana sem você. Confesso que passou rápido. Ando bem ocupada ultimamente por causa do trabalho e das preocupações do finalzinho do semestre, matrícula principalmente. Você bem sabe como eu gosto de me organizar, ter tudo planejadinho na agenda e em mil outros bloquinhos de anotação. Na minha cabeça, eu consigo ouvir você dizendo que não adianta nada se planejar, que eu nunca vou conseguir cumprir tudo. Sempre discordando de mim. Que saudade...
O final do dia é sempre a pior parte. Eu sinto falta de você, da sua voz e das coisas que acontecem no seu dia. Tô com saudade de você dizendo que tá com sono, que vai levantar cedo amanhã, pra eu deixar você dormir. Tô com saudade de ser manhosa no telefone, de ser repetitiva, de sufocar meu riso pra não acordar meus pais. Eu queria você aqui e agora. 
A bomba de insulina tá funcionando direitinho? Eu queria ter tido tempo pra conhecer sua endócrino, pra ela ter me ensinado a mexer, caso você precisasse. Minha mãe tem perguntado quando é que você vem em casa pra fazer cookie com a gente. Eu queria muito fazer bagunça na cozinha com você... Tá passando aquele filme do trailler que a gente queria assistir, lembra? Tá em cartaz agora. Seria tão bom se a gente pudesse assistir juntinho...
Cadê aquelas suas músicas ruins? Eu queria tanto ouvir SlipKnot hoje... Me apresenta aquele maluco do Motörhead de novo, talvez eu goste se ouvir mais uma vez. Sabe o Alan Kardec, hoje eu li uns trechinhos do Livro dos Espíritos, vamos discutir sobre eles? Tô com algumas dúvidas, queria saber como você pensa. Me fala do filme que você assistiu hoje. Você assiste sempre algum no final de semana, mas nunca lembra o nome... Tudo bem, mas fale sobre o filme. E o seu treino, tá progredindo? Pensando no próximo campeonato?
Hoje eu tô morrendo por dentro. Hoje meu coração tá tão encolhido que nem bate. Tá tão frio que meu sangue não circula. Tá tão foda que eu tô quase te ligando. 
Sabe, eu fico me perguntando... Será que a gente conseguiria fazer tudo mudar? Esquecer todo o resto do mundo, voltar pros nossos sonhos, voltar pros nossos planos... Eu queria tanto voltar a ter aquela imagem linda do seu sonho, lembra? Eu tomando café na mesa da cozinha, escrevendo meu livro e você, molhado do banho, vindo me beijar, desejando "bom dia". Eu queria tanto conseguir enxergar novamente nós dois, daqui há alguns anos, dividindo a vida, os momentos e o desodorante.
Eu queria me sentir preenchida, transbordada.
Eu queria sumir com esse vazio.
Eu queria seu abraço.
Eu queria você.
Só você.

E que fosse suficiente. 


segunda-feira, 23 de maio de 2016

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Sobre maio


Maio, indiscutivelmente, é um mês difícil pra mim. A começar pelo clima, que me deixa preguiçosa. A cama me convida ao descanso e as tarefas me incitam a trabalhar. Trabalhar é obrigação e o que me resta é apenas levantar da cama a contra-gosto, tomar um banho quente, tomar um cafezinho quente e colocar uma roupa quente. Quando dentro de mim, existe muito gelo. Preciso de muito calor externo para aquecer essa caixa gelada que instalaram dentro de mim.
Mas não é só o clima ou a preguiça e sim, as lembranças, as memórias que não fogem de mim. São as recordações de maios passados que me levam a pensar que os próximos maios serão sempre ruins. Porque já foram muito bons, só que agora não são mais, porque vêm acompanhados de sombra. Sombra de saudade, sombra do vazio que ficou, sombra dessa minha solidão que é tão grande e tão minha.
Maio não deveria ser assim. Eu sempre tive o outono como minha estação do ano preferida. Sempre gostei das roupas de outono, do clima de outono, das folhas de outono. Maio deveria ser bom! Eu gosto muito de frio, mas só ali, debaixo da coberta, quando fica quentinho. Só que por algum motivo, o cobertor não esquenta mais. O frio não vem de fora e sim de dentro. Então nada é suficiente, nenhuma fogueira, nenhum cobertor, nem mesmo saber que você está bem.
Em maio, nada fica bom. Nada fica bem. Meio tonta, eu acho que tem a ver com os maios passados, ou talvez com os maios futuros. Mentira. Tem a ver com o maio presente. O presente momento em que eu idiotamente percebo que nada mudou desde maio passado e provavelmente nada mudará em relação a maio que vem. 
As tarefas me incitam a trabalhar, quando o que eu queria mesmo era dormir, hibernar maio inteiro. Por favor, me acorde apenas quando maio acabar.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

#5: Uma carta para nunca ser enviada

       E aí, como vai (sem interrogação mesmo, porque não espero uma resposta. Isso nunca deve ser enviado, é a proposta, então como poderia esperar que você respondesse. Sem interrogação novamente. Se eventualmente eu esquecer e colocar um ponto de interrogação nessa carta, desconsidere, eu não estou perguntando nada)

    Essa não será uma carta de amor...  Nem de amizade, nem de vontade, nem de saudade. É sobre culpa. Não é sobre a amizade confusa, nem sobre o amor pela metade, ou sobre a vontade de falar sobre você. Vontade de falar com você. Essas coisas eu não conto pra ninguém, porque eu não tenho direito de sentir essas coisas. Afinal, como você mesmo disse, a culpa é minha. E, mesmo sabendo que ela não é só minha, eu aceito a culpa, alimento a culpa, carrego a culpa. Ela me derruba e eu caio no chão com ela (quando na verdade eu queria cair no chão com você). Se você desistiu de carregá-la, não tem problema, eu carrego. Parte de mim, dá de ombros e pensa "É minha, eu carrego". A outra parte, também não diz nada, mas sabe que foi a única coisa que sobrou da gente. No final das contas, eu carrego a culpa com muito orgulho, é toda minha!
      É meio idiota pensar que o tempo passou, porque no fundo foi só a Terra que deu umas voltinhas e uns rodopios por aí. No fundo, você sabe que quando a coisa aperta, eu penso em você e quando a coisa aperta pra você, você deve pensar em mim também. No fundo, a gente sabe que o que houve entre a gente foi um ponto de inflexão nas nossas vidas, o auge da montanha russa, no começo foi bom, friozinho na barriga, liberdade, mas agora a gente tá caindo. E não para de cair. O que a gente tem é forte pra caralho e por isso hoje em dia a gente não consegue passar nem um minuto inteiro olhando um pro outro. Porque a gente sabe que aquele sentimento todo volta, porque a nossa conexão é muito mais forte do que tudo o que eu já vi na minha vida. Porque foi um desperdício a gente ter ficado tão longe um do outro. Como um peso morto pra sociedade, porque eu teria sido tão melhor pra você e você teria sido tão melhor pra mim. Verdadeiros potenciais não utilizados na economia do mundo. Algo tão ineficiente!
      Mas, e se você soubesse eu decorei o poema "Presságio" pra um dia poder me declarar para você. Às vezes, meio sem querer eu me pego declamando o poema baixinho só pra ver se ainda lembro. Continua na ponta da língua. Parte de mim, quer esquecer, a outra ainda sonha com o dia em que isso será útil. Mas, e se você escutasse a adaptação que eu fiz de All Star Azul pra poder dizer o quanto eu quero apertar o nove que é o seu andar e que eu não vejo a hora de te encontrar pra gente terminar aquela conversa que ficou tão longe. Mesmo assim, nada teria mudado, porque você não me enxergava. Não entendia o que eu sentia...
      Eu jamais conseguiria ser só a sua amiga. E nem você, eu acho. Às vezes eu me pergunto porque atualmente a gente se evita, porque a gente não olha um para o outro, porque a gente não consegue se tratar como qualquer um. Parte de mim acha que é bom, que talvez seja o sinal de que ainda existe alguma coisa, mas no fim, não nos falamos. E as perguntas voltam... Tantas questionações! E todas retóricas. Só pra pensar. Não pra responder. No dia-a-dia, eu tô sempre de boa, cabeça ocupada, mas no fim de semana fica sempre tão ruim... Eu sempre penso em vocês transando. Tipo, hoje, sábado de noite, vocês naquele sofá em que quase nos  beijamos, sua mão fazendo carinho na perna dela, dando aquele arrepiozinho. E a noite, sexo. Talvez, amor. Porque ela pode te dar prazer, porque ela pode te tocar, ela pode te abraçar, ela pode fazer você rir, ela pode passar horas conversando com você. Enquanto eu, não posso nem te olhar, nem dizer "oi", nem perguntar como você está. Loucura pensar nessas coisas...
      A noite a loucura sempre vem. Com força. E me faz pensar nas minhas últimas loucuras por você. Tentativas inúteis de tentar te dizer o que eu sentia. Era tão mais fácil usar palavras, mas que palavras eu poderia usar? Eu teria que inventar um vocabulário todo novo... Mas eu poderia ter dito que era louca por você. Porque eu era mesmo. Louquíssima por você. Hoje em dia eu nem sei mais. Porque tanta coisa mudou. Eu mudei. Você mudou. E eu sei lá. Não tem mais nada a ver. 
       Tem dias que eu quero largar tudo, correr pra você. Tem dias que você é só mais um babaca que se afastou de mim. Tem dias que eu quero, tem dias que eu toco o foda-se. Tem dias que você é o cara mais bonito que já passou pela minha vida, outros é o mais escroto. E o que me resta é esse mar de confusão em que eu nado e me afogo, procuro qualquer coisa pra me apoiar, fico bem, depois essa coisa afunda e eu afundo junto, e volto a querer. Mas sempre tem algo pra me apoiar. No fundo, eu só queria aprender a boiar, sem depender de apoio e sem me afogar. Um dia eu aprendo a boiar. 
     Mas o que eu queria mesmo e não conto pra ninguém, não tem nada a ver com culpa nem com esse mal que você me faz. É sobre uma vontade, intensa, forte e louca de te abraçar por aproximadamente meia hora, sem dizer absolutamente nada só sentindo seu corpo envolvendo o meu e o meu corpo envolvendo o seu. Depois de um ano sem escutar minha voz assim de pertinho, vai ouvir bem no seu ouvido "Palavras são erros" e você vai completar "E o erros são meus" "Eu não quero lembrar que eu erro também". E ali, naquele abraço, assumir nosso erro juntos, abandonar a culpa, voltar no tempo a umas voltas e rodopios da Terra atrás, um ano atrás, quando você profetizou naquele sofá que nós dois ficaríamos juntos, e que eu duvidei com um "pffff" de deboche. Eu queria tanto que você tivesse me beijado naquele dia. Porque apesar da contrariedade, eu tava achando que a gente ficaria junto mesmo, e acho que você pensava o mesmo. Só que no final, a gente foi se separando, e se separando cada vez mais. Hoje há tantos espaços entre a gente... Tá tarde e eu tô falando tanta besteira. Mas tudo bem, eu não vou enviar mesmo... É a proposta. É só um desafio de cartas. Só estou cumprindo um desafio. Palavras não significam nada, afinal.
Com a culpa que é toda minha,
Paulinha






P.S.: Essa carta pertence ao Desafio de Cartas, explicado nesse post. Talvez vocês se identifiquem. Espero que gostem! :) 


quinta-feira, 31 de março de 2016

#3: Carta de Agradecimento - Você



Utopia Concreta, 28 de março de 2016

Olá,

Sinto que às vezes sou ingrata com você, porque na maioria das vezes em que você lê um "você" aqui no meu blog, sabe que não é exatamente para você, mas sim para algum babaca, ou uma babaca, que provavelmente não lê meus textos, porque não se importa comigo. Eu tenho esse costume feio de escrever para quem não dá a mínima pra mim, quando na verdade, quem lê, não é essa pessoa, mas sim você. E sim, dessa vez é com você mesmo que eu tô falando. Você, leitor, leitora.
Essa carta é exatamente pra você que tá lendo agora. Eu queria agradecer por você estar perdendo seu tempinho valioso me escutando, mesmo eu não tendo muita coisa a dizer. Eu queria dizer "Obrigada" pra você. Sabe, você não faz ideia do quanto significa para mim escrever um texto aqui. São pequenos passos que eu dou, que eu sei que um dia, vão me levar para um lugar que eu sonho em chegar. Pronto! Falei em sonho! Agora já estamos bem mais íntimos. Vou revelar a você o meu sonho: Eu quero escrever um livro. Por favor, não conta pra ninguém, somos amigos, ok? Segredo nosso, não sai espalhando por aí.
E só pelo fato de você estar me lendo, me ouvindo, já significa tanto pra mim! Mesmo que você ache que eu não escreva tão bem, que eu não sou totalmente clara, que eu não escrevo coisas sonoras, que tenho uma gramática horrorosa e peco nos erros de português, você está aqui. E isso me deixa tão feliz! Meus olhos brilham quando você comenta, quando pede pra compartilhar ou mesmo só quando visualiza. Não é um grito no eco. Eu sei que tem gente ouvindo. Mesmo que não sejam muitas pessoas, pode ser só uma. Eu não tô sozinha.
Escrever aqui me dá essa sensação, porque você existe.
Obrigada por existir e por estar aqui.
Você alimenta o meu sonho.
E minha vontade de viver.

(Apesar de breve, é um dos agradecimentos mais sinceros que já fiz)

Com muito amor, 
Pérola 


Essa carta faz parte do Desafio de Cartas, proposto nessa postagem

terça-feira, 8 de março de 2016

Na cúpula geodésica


    Depois de me ter jogado na grama, com direito a coceguinhas na bochecha e no pescoço, lá estávamos nós dois deitados numa rede dentro de uma cúpula geodésica. Aquela estrutura geométrica tinha algo de bonito, psicodélico e cósmico (ou talvez fosse apenas o efeito da breja). E o fato dele saber esse nome, a tal "cúpula geodésica", era algo tão fantástico, tão sensacional!
     Um braço dele envolvia meu pescoço, enquanto a mão fazia carinho na minha cintura. Nossos rostos estavam colados. Eu sentia o bafo alcoólico dele, provavelmente igual ao meu e ele parecia querer que nossos lábios se tocassem. Eu não entendia: Ele deveria estar se divertindo com as calouras e não perdendo o tempo com uma veterana!!!
    Mesmo assim, ficamos ali a festa inteira, abraçados, com frio, balançando a rede devagarinho, falando sobre psicanálise e sonhos, imaginando situações, colocando o papo em dia, fingindo falar de horóscopo, quando na verdade tudo era um pano de fundo para nos conhecermos melhor, do jeito mais profundo que se é possível conhecer alguém: Descobrindo como essa pessoa pensa e como ela vê o mundo. Invadindo sua mente.